sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Solaio

Eu queria ir dormir
Sonhar que sorria para ti
Deixar os devaneios tirarem sua roupa
Empurra-las da cama sem notar

Te vejo de longe, mas já sei o som do seu sorriso
Nunca te abracei, ainda bem
Não te quero um sorriso de volta
Eu quero a sintonia do olho no olho

Suspeito intrigado
Sou eu aqui sentado
Pensei "Seria eu a vítima?"
Nunca se sabe quando se encontra uma dessas

Essas vem para te mostrar a dor de surpresa
Quente ou fria
Para que romantismo?
O que você procura nos meus olhos?

Você já não crê em final feliz
Não convence a ninguém...
Mas me sinto como criança
Ao olhar e sonhar, em ter você ao menos um dia




Ondas



Ei! Consegue imaginar onde estou?
Ei! Minha voz não traduz o que sinto...
Meus vícios são ondas
Eles me impedem de ver por onde andas...

Eu me vi falhar tantas vezes
Jogos não me fazem mais feliz
Eu vejo os sentimentos se perdendo por um triz
Por capricho, por preguiça

Tanta gente por ai não traduz o que sente
Tantos que vem opinar sem saber
Já escutei os demônios e sei
Já fui o demônio e sei

Hoje eles vivem em mim
Hoje os tento negar
Talvez repetitivo, o que tu achas?
Previsível ou infantil?

Vem novas ondas
Elas trazem novas e velhas conchas
Algumas vão se prender em terra
Outras voltam para o mar

Mas olha, um dia eu vou sentar lá
Vou ver um novo por do sol
Tentarei lembrar de como fomos um só
Vou me ver falhar, pensando no teu cheiro

Porque foi único
Porque foi sincero
Porque foi ligeiro
Porque foi verdadeiro...

Rogério Fernandes