sábado, 23 de julho de 2016

Não sei

Eu queria, por muito tempo
Ter a oportunidade que tive noite a dentro
Escorados nas grades frias
Ignoramos os desacompanhados que estavam naquela via

No meio de lapsos que posso lembrar
Um cenário comum na rotina de quem passa
Um cenário inesperado para mim
Contei cada palavra

Não vou me iludir imaginando um sorriso de paixão
Mas era de uma atração movida a álcool, curiosidade ou desejo?
Não deixei a oportunidade me passar em vão
Pedia mais um beijo

Poderia exaltar o seu cheiro
Ou seus lindos cabelos cacheados
Idolatrar seu corpo e dizer o quanto o queria nu
Assim, vulgar seria diante do que realmente tenho lembrado

Foi um sorriso que me acertou
A forma que se entregou
Que saiu do "não se iluda"
E na imaginação se pintou

Se pintou de poucas cores
Com tons de novos sabores
Você também sentiu
Mas esse livro, já devolveu?








quarta-feira, 18 de maio de 2016

Esponja

Olha só toda essa confusão
Vê a distorção do amor? 
Hoje o tempo corre
Nem lembro bem o que aconteceu

Dia-a-dia enigmado
O que vem amanhã?
Lembro e confio nessas palavras que são escritas
Que vem de um sentimento efêmero 

Que viu
Que ouviu
Que não mentiu
E com fel sorriu

Mas a razão me diz que ainda sigo sozinho
Orgulho e paixão alheia some
Quando vejo o medo e o trajeto que se segue
Suado, traido

Eu não posso dizer 10 palavras que definam o que sinto
Quando vejo o vazio facial
Absorvo o medo de quem vejo, em silêncio
Sem saber o que fazer com alma perturbada, como a minha

Quer uma ilusão encantadora?
Olhe para o outro lado
Isso não pode sair de mim
Absorvo a dor da traição

Encharcado estou
Porque um deus inexistente me amaldiçoou
E vivo não continuou para assistir o que me fez
Pois me deu um órgão seu que o matou

Me deu o dom de ver sonhos morrer
Me fez sentir a solidão dos carentes
Me fez crer no esforço como solução
E traçou um caminho que me fez tentar mudar em vão

Por que eu tenho que ser forte?
Sou sujo, não vê?
Basta notar a cor da tinta que me encharcou 
Tem tom de dor e cansaço

Irresponsabilidades
Ausências
Indiferenças
Eu absorvi, não sendo eu... 




quarta-feira, 11 de maio de 2016

Nunca foi uma vírgula

Não era questão de estar
Era de ficar
O papel sendo obrigado a me sentir desabafar...

Não foi como chuva passageira
Que vem fraca e silenciosa
É de força que o sentimento se mostra
De zoada rasgada
Mas eu sei que logo passa

Hoje eu escrevo sozinho
Por deselegância da vida
Escrevi um dia para você ficar
Agora quero que vá

Da cama, dos meus braços
Da minha cabeça, do meu espelho
Depois de entrar no quarto
Depois de ser amada, só mais uma vez...

Rogério Fernandes

terça-feira, 3 de maio de 2016

Saudades com cinzas

Da minha face triste se vê a angustia
Mas é ao ver teu sorriso que as lágrimas se soltam
Naquelas fotos simples
Era tudo tão simples

Me faz lembrar dos nossos sonhos
Que me fizeram feliz como um tolo
Saudade senti por dias
Não pude evitar te perder

Que um dia me perdoe
Que mais uma vez na minha cama sua voz ecoe
Posso ter essa sorte, mas não quero que fique
Já tomei doses suficientes
Não lembro de você, não te conheço
Lembro de quem eras, de quem imaginei que fosse

Espero que o pôr do sol você veja
O segredo que não te contei
E nem contarei
Agora está eternizada no passado
Perfeito para mim, deitados no chão olhando a lua
Guardei as palavras para mim

Rogério Fernandes

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Solaio

Eu queria ir dormir
Sonhar que sorria para ti
Deixar os devaneios tirarem sua roupa
Empurra-las da cama sem notar

Te vejo de longe, mas já sei o som do seu sorriso
Nunca te abracei, ainda bem
Não te quero um sorriso de volta
Eu quero a sintonia do olho no olho

Suspeito intrigado
Sou eu aqui sentado
Pensei "Seria eu a vítima?"
Nunca se sabe quando se encontra uma dessas

Essas vem para te mostrar a dor de surpresa
Quente ou fria
Para que romantismo?
O que você procura nos meus olhos?

Você já não crê em final feliz
Não convence a ninguém...
Mas me sinto como criança
Ao olhar e sonhar, em ter você ao menos um dia




Ondas



Ei! Consegue imaginar onde estou?
Ei! Minha voz não traduz o que sinto...
Meus vícios são ondas
Eles me impedem de ver por onde andas...

Eu me vi falhar tantas vezes
Jogos não me fazem mais feliz
Eu vejo os sentimentos se perdendo por um triz
Por capricho, por preguiça

Tanta gente por ai não traduz o que sente
Tantos que vem opinar sem saber
Já escutei os demônios e sei
Já fui o demônio e sei

Hoje eles vivem em mim
Hoje os tento negar
Talvez repetitivo, o que tu achas?
Previsível ou infantil?

Vem novas ondas
Elas trazem novas e velhas conchas
Algumas vão se prender em terra
Outras voltam para o mar

Mas olha, um dia eu vou sentar lá
Vou ver um novo por do sol
Tentarei lembrar de como fomos um só
Vou me ver falhar, pensando no teu cheiro

Porque foi único
Porque foi sincero
Porque foi ligeiro
Porque foi verdadeiro...

Rogério Fernandes