sábado, 2 de fevereiro de 2013

Barco incerto

                                                           
         Barco incerto

Dois ratinhos, um sonhador e o outro sensível,
O sonhador conseguia deixar qualquer sentimento invisível,
Enquanto o sensível lutava sempre por um sorriso visível,
Ambos no mesmo barquinho, um barquinho indivisível.

Dois ratinhos, um guerreiro e o indiferente,
-"por que sonhar no meio aqui do nada?" disse o ratinho que sempre estava sorridente,
-"Para ter algo para lutar!" respondeu impaciente,
-"Contra essas ondas? Por que não começa mordendo?" atirou ironicamente,

-"É fácil lembrar que estamos no nada, 
a deriva do mar e distantes de casa,
mas de que adianta sorrir do vento que bate na sacada?
de  que adianta se manter vivo sem alvejar uma amada?" disse o sonhador

-"Estamos confinados, só nos resta gargalhadas,
lembro bem do seu sofrimento enquanto sonhavas,
sofrimento desnecessário, admiro como defendes e como falas, 
mas aqui só resta aceitar esse céu como presente nas noites estreladas" disse o indiferente

-"Sorri porque se aceitou como um confinado, 
essas ondas que batem no casco, um dia vão ficar do joelho a baixo,
se hoje sofro, é porque dependo do vento incerto para ver meu sonho realizado,
          vou lutar para o barco não virar até tudo ter terminado" disse o rato provocado

-"Você se preocupa muito, sorri pouco,
por mais que lute, que sonhe, sempre vai parecer um louco,
luta por algo que não conhece, por um futuro oco, 
não me leve a mal, mas pode acabar até morto" respondeu o irônico 

-"Minha risada tem hora marcada, 
meu triunfo demora e até pra mim é inesperada,
nosso barquinho nós leva para o mesmo lugar, 
onde alguém como você tende a desprezar o que um sonhador tende a amar..." rebateu o sonhador

Por mais que sonhe, 
Por mais que sorria,
No mesmo barco tem uma ironia,
A felicidade não é a mesma no mesmo barco, mesmo que só exista uma só via.